45 - A incansável luta revolucionária curda - Revolushow
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45 – A incansável luta revolucionária curda

45 – A incansável luta revolucionária curda

No episódio de hoje, Zamiliano, Florência Guarch e Vicente irão falar sobre o Curdistão, a luta do povo curdo em Rojava e o Confederalismo Democrático.

Edição: Zamiliano

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Links Citados

Guerra e Paz no Curdistão

Confederalismo Democrático

A revolução das Murelhes

Mensagem das Mulheres nas fronteiras de Rojava

Revolução: uma palavra feminina

Um rio de montanhas tem muitas curvas

A revolução ignorada

 

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5 Comentários
  • Bruno
    Escrito as 17:48h, 19 junho Responder

    faltou o link sobre a dissertação do moço. eu achei pelo google academico, ta aqui o link: http://hdl.handle.net/10400.5/17377

  • Bruno
    Escrito as 17:52h, 19 junho Responder

    e tambem sobre o site em espanhol: curdistão e america latina, citada em 01:15:25. Se puderem mandar esse link tbm eu agradeço muito. adoroo conteudo de voces moçes

  • Caio Nunes
    Escrito as 11:22h, 20 junho Responder

    Parabenizo ao Revolushow por este episódio sobre a história da luta do povo curdo por autodeterminação! Crucial, neste momento em que as forças curdas em rojava estão sendo duramente reprimidas pelo Estado Turco, que desde 2016, com a permissão velada dos governos da Síria e Rússia, cruzaram as fronteiras da Síria rumo a Federação Democrática do Norte da Síria, e passaram a “recolonizar” o cantão de Afrin.

    Saudações também a Florência e Vicente pela constante contribuição nos estudos sobre a questão curda! E pelas ótimas falas nesse programa!

    Gostaria de fazer alguns comentários e contribuir para o debate.

    Desde 2014 venho pesquisando academicamente a questão curda, me focando no estudo do pensamento de Abdullah Öcalan e na especificidade do Confederalismo Democrático enquanto uma teoria revolucionária. Atualmente em meu mestrado, realizo uma leitura imanente dos escritos de prisão de Ocalan, buscando compreender como nesses escritos, ele utiliza a noção de poder dual na consolidação da estratégia do Confederalismo Democrático. Penso que conhecer melhor seu pensamento seja uma chave fundamental para compreender o Movimento de Libertação Curdo nas quatro áreas do Curdistão.

    É bom lembrarmos, que o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) é formado por Ocalan em 1978 na TURQUIA, e a sua trajetória esta diretamente ligada a conjuntura especifica pelos quais os curdos na Turquia, sedimentados na região sudeste do País, Bakur, tinham em sua luta por reconhecimento e autodeterminação desde a formação da Turquia, em 1923, como foram ressaltadas nas falas.

    O PKK surge como uma organização SOCIALISTA, ela surge e se integra aos movimentos de Libertação Nacional que emergiram nesse período e se reconheciam enquanto parte da Revolução Socialista Mundial. O reconhecimento dos curdos enquanto um povo colonizado internamente na Turquia e internacionalmente na região do Oriente Médio, fez com que o PKK colocasse a seguinte bandeira: A Revolução na Turquia passa pelo Curdistão! Assim, influenciados pelo maoismo, eles tem como objetivo a unificação da aliança entre camponeses, operários e intelectuais curdos, visando a construção de um Curdistão Independente. A estratégia revolucionária adotada pelo partido é a da Guerra Popular Prolongada. Assim, em 1984, se inciam as primeiras operações de guerrilha contra o Estado Turco, para avançar com a guerra popular. Os conflitos duram até 1993, quando o PKK declara seu primeiro cessar fogo.

    Com a derrota da U.R.S.S em 1991, o movimento socialista internacional se vê forçado a repensar suas estratégias. Com o PKK não é diferente. Tentando dar os primeiros elementos sobre a pergunta do Zamiliano, o PKK apesar de buscar apoio na União Soviética, nunca conseguiu avançar nisso, por conta do histórico apoio da URSS aos Estados Nacionais da Turquia, Síria e Irã. Não recebendo o apoio direto da U.R.S.S, não foi muito difícil para o PKK buscar se afastar de sua influência. Mesmo Ocalan, desde 1983, era um feroz crítico do burocratismo soviético, e desde a criação do PKK entende a necessidade de combater o burocratismo com uma democracia socialista radical, para que o Partido permaneça um instrumento do povo, e não seja dominado por ele. Os problemas conjunturais e internos no PKK, entretanto foram se ampliando.

    Os anos 90 foram anos difíceis para o PKK e para o Movimento de Libertação Curdo como um todo. Ocalan e outros dirigentes do PKK estavam exilados na Síria. A ultima guerra curdo iraquiana trouxe grandes perdas para o KDP de Barzani, que se viu obrigado a subjugar aos EUA na Guerra do Golfo. A grande perda entretanto veio em 1999, quando obrigado a sair da Síria, Ocalan foi preso numa grande armadilha construída entre os governos e inteligencias da Turquia, Israel, Grécia, EUA, numa operação em foi sequestrado pela CIA e pelo MOSSAD, da embaixada Grega no Quênia, e foi entregue as forças especiais Turcas. A operação foi sancionada por ninguém menos que o presidente Norte Americano Bill Clinton. Isso já mostra o quanto este homem e o movimento de libertação curdo eram considerados perigosos. Foi condenado por traição e sentenciado a morte. A condenação posteriormente foi convertida em prisão perpetua, como requisito para a Turquia ingressar na União Européia. Ocalan esta até hoje, com 75 anos, no presídio de segurança máxima na ilha de Imrali, no mar da Marmarrá, no norte da Turquia.

    Neste momento temos uma inflexão interessante no pensamento de Ocalan. Ele em seu texto de defesa do julgamento de Imrali, ainda em 99, apresenta uma séria de novas concepções quanto ao destino do PKK e do Movimento de Libertação Curdo. Nesse momento, Ocalan abandona a Estratégia da Guerra Popular Prolongada, abandona o objetivo de constituir um Curdistão Independente, e passa a defender que o PKK deve lutar para a democratização radical da sociedade Turca. Assim, o PKK deveria fomentar e organizar movimentos da sociedade civil curda, na luta por uma transformação democrática radical do Estado Turco. Nisso, ele passa a defender que o PKK se torne um partido oficial da TURQUIA, e que a luta seria pela construção do que ele chama de Republica Democrática. De forma geral, tendo a entender que Ocalan nesse momento ao abandonar a estratégia revolucionária, assume uma visão REFORMISTA para o PKK e para o Movimento de Libertação Curdo, que deve ficar circunscrito a luta partidária no Estado Turco. Esse é um movimento que estamos acostumados a ver, quando diversos partidos comunistas abandonaram a luta armada e se institucionalizaram. Em 2000 o PKK adota em seu congresso as novas ideias de Ocalan. Isso gerou um racha enorme na organização, com muitos dirigentes antigos abandonando o partido, inclusive o irmão de Ocalan, que não acreditava que seu irmão pudesse ter se transformado num reformista, e abandonado a luta. Para ele e muitos, essas declarações foram obtidas através de tortura. De toda forma, a enorme influência se manteve e o PKK passa a seguir esse programa, refrear a luta armada com um novo cessar fogo, e focar na criação de novos organismos na sociedade civil turca. (Existem outras condições ao meu ver para essa mudança, mas que não é possível desenvolver por aqui, como negociações secretas que ocorreram com o governo Turco, que só posteriormente foram a publico).

    Entretanto, após 2000, haverá uma NOVA VIRADA no pensamento de Abdullah Ocalan, onde ele abandona, na minha leitura, essa visão “reformista” e adota novamente uma estratégia REVOLUCIONÁRIA para o Movimento de Libertação Curdo. Isso se deve principalmente ao seu contato, a partir de 2002, com os livros de Murray Bookchin, e sua estratégia de transformação social, chamada de: Municipalismo Libertário.

    Bookchin é um dos mais criativos e influentes anarquistas norte americanos do Séc XX. Ele tem uma trajetória interessante, sendo filho de sindicalistas revolucionários do I.W.W, já em sua juventude se filiou a juventude comunista, onde teve sua formação marxista clássica, e enquanto operário da industria automotiva, participou e organizou as grandes greves do setor, como a grande greve da General Motors. Teve posteriormente um período de militância junto a organizações trotksystas, mas após a segunda mundial, ele se afasta dessas organizações e passa a militar no movimento anarquista norte americano, sendo fundador da Liga Libertaria de NY. Bookchin é principalmente reconhecido pela criação da chamada ECOLOGIA SOCIAL, uma escola de pensamento que colocou os problemas ecológicos diretamente ligados a questão social, da exploração do homem sobre o homem. Já nos anos 50, ele incia trabalhos pioneiros nessa área e passa sua vida desenvolvimento este trabalho no Instituto de Ecologia Social, em Vermont.

    Preocupado em construir uma estratégia adequada para a realidade dos EUA de seu tempo, ele constrói a chamada teoria do Municipalismo Libertário. Nela, os anarquistas deveriam não mais focar no local de trabalho e no sindicalismo como centro de suas atividades, mas sim no espaço do BAIRRO e da CIDADE. Assim, deveriam fomentar e organizar grandes assembleias e fóruns populares, para que a população construísse nessas organizações, uma alternativa concreta sobre o controle da cidade, desde a cultura até o controle da economia. Para ele, o objetivo final era que as Assembleias Populares, na forma de Conselhos, disputariam o poder legal do Estado nos Municípios, e assim que obterem o controle desses processos, elas se tornam unidades que podem oferecer uma alternativa e contestar o poder do ESTADO. Quanto mais esse processo se desenvolve, as municipalidades criam uma DUALIDADE DE PODERES, que se radicaliza invitalmente em uma Revolução Social. Bookchin passou a maior parte de sua vida tentando convencer os anarquistas americanos de seguir essa estratégia, entretanto não obteve exito, e foi mesmo ignorado por muito tempo. Entretanto, ao entrar em contato com estas ideias, Ocalan viu uma estratégia extremamente adequada para as vilas e cidades do Curdistão e do Oriente Médio. Nisso, ele adota a estratégia do Municipalismo Libertário e junto ao seu desenvolvimento intelectual frente a especifidade da revolução no oriente Médio, desenvolve uma nova teoria revolucionaria, o qual chama de CONFEDERALISMO DEMOCRÁTICO.

    Num novo esforço descomunal para influenciar o PKK a adotar suas novas concepções, Ocalan consegue fazer com que o PKK aprove o Confederalismo Democrático como seu programa. Em 2005, o Movimento de Libertação Curdo funda uma nova instituição, o KCK (Conselho das Comunidades Curdas), organização que federal o PKK e demais organizações curdas que assumem o Confederalismo Democŕatico como seu programa máximo. Assim, Partidos e suas Organizações Militares, Sindicatos, Associações, etc, passam a lutar em todos os quatro cantos do Curdistão por esse programa. A atuação começa em 2007 em Bakur, na Turquia. Mas claramente hoje vemos a Federação Democrática do Norte da Síria como o exemplo mais avançado deste projeto.

    Gostaria de poder falar mais sobre a especifidade do Confederalismo Democrático mas já me estendi demais nesse comentário, vou colar aqui uma parte do meu TCC em que sintetizo um pouco disso tudo:

    Estudar o pensamento de Abdullah Öcalan nos possibilita uma chave explicativa fundamental para começar a compreender porque agem e como agem os curdos na Síria, Turquia e nas demais regiões do Oriente Médio, que alinham o seu próprio projeto de libertação, com a libertação da oriente médio e do mundo, oferecendo, através do Confederalismo Democrático, uma alternativa viável a modernidade capitalista e todas as suas contradições.

    Como vimos, a mudança no pensamento de Öcalan, possibilitou uma modificação radical no próprio Movimento de Libertação Curdo, fortalecendo suas organizações e instituições filiadas, construindo uma nova forma de sociabilidade e de organização social, que supere as limitações históricas que foram desenvolvidas pela civilização hierárquica, abrindo os caminhos para uma nova etapa histórica no desenvolvimento da própria humanidade, onde a libertação da mulher indique os caminhos para a libertação de toda a sociedade.

    Assim, a teoria do Confederalismo Democrático é construída a partir dos pilares que compõem o que Abdullah Öcalan chama de modernidade capitalista. Para se superar essa modernidade capitalista, e transitar ao que ele chama de modernidade democrática, é preciso que a mulher, o sujeito revolucionário por excelência, rompa em todos os níveis com o poder do macho dominante, estruturado em toda a sociedade de classes. Para isso, uma revolução democrática na sociedade deve ser construída pela base, orientada pelo socialismo, pela libertação da mulher e pela ecologia.

    No Confederalismo Democrático, toda a sociedade se organiza em conselhos, em níveis local, regional e nacional, priorizando a diversidade e garantindo a igualdade entre os gêneros, etnias e religiões nas instâncias de poder. Assim, é estabelecido um poder dual, onde o poder da Confederação vá substituindo o poder dos Estados. Nesse processo, a autodefesa é a forma de garantir a sobrevivência das regiões confederadas assegurando assim sua “autonomia democrática”.

    Espero ter ajudado e contribuído com o debate. Que continuem com o bom trabalho Revolushow!
    Sigamos na luta pelo socialismo e pela emancipação humana!
    Biji Kurdistan!
    Liberdade para Abdullah Ocalan!!

    PS* – Abdullah Ocalan é um grande estudioso da história do oriente médio e da Mesopotâmia, de fato, tem um livro inteiro dedicado a Gilgamesh, que ainda aguardamos a tradução para o Inglês. Aconselho a leitura de seu livro Roots of Civilization, onde ele realiza uma análise de longo prazo, de ao menos 5 mil anos, sobre as origens da sociedade de classes na mesopotâmia, em especial, na cidade de Ur, dando atenção especial a estratificação social e a representação simbólica na arquitetura dos Ziguratis e na construção das religiões monoteístas. @João Carvalho vai pirar.

  • Naia Nogueira Lusvarghi
    Escrito as 11:00h, 01 julho Responder

    Oi, meninos. Espero que vocês estejam bem. Vocês pediram pra gente dizer o que a gente gostaria de ler. Eu sou de exatas (desculpa!) – engenheira civil estudando engenharia de segurança do trabalho. Para a minha monografia estou pensando em relacionar o marxismo com a evolução da segurança do trabalho, já que a contextualização que a gente tem no curso é simplista e focada apenas em indivíuos, e não em ideais. Então, eu gostaria de saber se vocês conhecem alguma coisa a esse respeito, pois só encontrei uma única tese de mestrado a esse respeito. Se vocês não conhecerem, fica aí a dica para um próximo lançamento.
    Beijos

  • Bruno
    Escrito as 11:18h, 01 julho Responder

    fantastico oque voce disse, gostaria muito de ver seu tcc!

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